19 ago

Como amamentar sem dor e desconforto?

Especialista dá algumas orientações para ajudar as mamães neste processo

Este mês é marcado pela campanha nacional “Agosto Dourado”, que tem como objetivo trazer ações de promoção, proteção e apoio ao aleitamento materno. A amamentação é um momento de interação entre mãe e filho, além de trazer vários benefícios à saúde de ambos. No entanto, às vezes esse processo pode trazer dor e desconforto para as mamães.

A coordenadora do curso de pós-graduação em enfermagem obstétrica e docente no curso de graduação em enfermagem da Faculdade Pitágoras, Elaine Cristina Faria, dá algumas orientações. “Os cuidados com os seios devem começar no desde a descoberta da gravidez, dando uma atenção maior ao mamilo ou bico da mama, por ser sensível e por geralmente dar pequenas rachaduras durante a amamentação”, pontua.

Agosto Dourado, Dicas para amamentação

A especialista explica que alguns métodos contribuem para um aleitamento tranquilo e sem dor. “A higienização é fundamental. A cada mamada o seio deve ser seco para que não haja umidade e, consequentemente, fissuras. Outra dica é tomar sol todos os dias na mama, antes das 10h, assim a vitamina D prepara e fortalece a região”, aconselha.

Com todos esses cuidados, a amamentação se torna ainda mais prazerosa neste vínculo de amor entre mãe e filho. Além disso, o bebê pode usufruir dos benefícios para a saúde. “O leite materno contém tudo o que o bebê precisa, ajuda na digestão e auxilia na cólica, reduz as chances de desenvolver alergias, estimula e fortalece a arcada e melhora a imunidade”, destaca.

Por meio do leite materno, o bebê recebe os anticorpos da mãe que o protegem contra doenças como diarreia e infecções, principalmente as respiratórias. O risco de asma, diabetes e obesidade é menor em crianças amamentadas, mesmo depois que elas param de mamar.

Confira algumas dicas para deixar esse momento ainda mais confortável e especial:

1. Atenção:

Amamentar não deve doer. A dor é um sinal de pega incorreta. Mude de posição e lembre-se de sempre trazer o bebê até o seio, nunca o contrário.

2. Use sutiãs adequados:

Para evitar a flacidez, o sutiã utilizado neste período deve ser mais reforçado e de tamanho compatível com os seios. Logo no início da gestação, a mulher deve optar por um modelo de alças largas, sem bojos, e que ofereça boa sustentação, pois os seios vão ficando bem maiores que o normal, sendo necessário algo mais confortável e que não incomode. Também é indicado o uso de conchas de silicone sob o sutiã, para evitar o atrito.

3. Massagens:

É recomendado fazer massagens diariamente nos seios, preparando-os para a amamentação e ajudando os mamilos a ficarem mais salientes, favorecendo a sucção de leite pelo bebê e evitando o surgimento das lesões. Esse procedimento deve ser feito especialmente pelas mulheres que têm os bicos planos ou invertidos, mas é recomendado para todas as gestantes. Para isso é preciso segurar o seio com as duas mãos, fazendo pressão até a ponta, hora com as mãos nas laterais da mama, hora com uma mão por cima e outra por baixo, repetindo o movimento várias vezes. Nos casos em que os mamilos demoram a ficar mais salientes, é necessário que se faça uma massagem segurando o bico com os dedos indicador e polegar, rodando-os de um lado para o outro. Vale ainda ressaltar que mesmo com mamilos invertidos há a possibilidade de amamentar.

4. Observe:

Tente observar a necessidade do seu filho e faça intervalos de maneira que ele não esteja com muita fome na hora de alimentá-lo, pois o bebê tende a estar mais estressado e pode não mamar corretamente. Se você costuma acordá-lo e trocar a fralda antes de amamentar, mas ele sempre chora, experimente oferecer o peito primeiro e só trocá-lo depois, por exemplo.

5. Escute:

Se você ouvir qualquer barulho na boca do bebê durante a mamada, é porque algo está errado. Estalos na língua ou som semelhante a um beijo não devem fazer parte desse momento, apenas ruídos da sucção e deglutição. Caso escute qualquer coisa além disso, tire o bebê do seio e recomece. Se persistir, vale tentar mudar a posição.

Enfermeira Elaine Cristina Faria*Sobre a enfermeira Elaine Cristina Faria

Possui Doutorado em Ciências da Saúde pela Universidade Federal de São Paulo (2017) mestrado em Cirurgia Plástica pela Universidade Federal de São Paulo (2006), especialização em Docência do Ensino Superior e Saúde coletiva e graduação em Enfermagem pela Universidade do Vale do Sapucaí (1995) . Tem experiência em docência na área de Ciências da Saúde nos cursos de enfermagem, psicologia e odontologia, com ênfase em Saúde Coletiva, atuando principalmente nos seguintes temas: Saúde da Mulher e da criança e do Idoso, Saúde da Família, Saúde do Trabalhador, qualidade de vida e capacidade para o trabalho. Membro do NDE e do colegiado da Faculdade Pitágoras de Poços de Caldas, Docente responsável pela disciplina de metodologia da pesquisa no curso de Pós-graduação em Enfermagem Obstétrica.