29 set

Pessoas que tiveram covid-19 precisam estar atentas a possíveis sequelas

Resposta inflamatória causada pelo novo coronavírus pode ter consequências tardias, que podem ser identificadas por exames

Quem teve complicações da covid-19 e conseguiu se recuperar, pode se considerar um vitorioso. A doença deixou centenas de milhares de mortos no Brasil em mais de quatro milhões de casos confirmados. Infelizmente, porém, os cuidados com a doença não terminam com a alta hospitalar. A covid-19 pode deixar sequelas importantes em alguns órgãos, desencadeando problemas graves semanas ou meses após a infecção. Entre os órgãos afetados mais vitais, está o coração. Mesmo o indivíduo não tendo nenhuma cardiopatia anterior à doença, pode apresentar problemas após a infecção pelo novo coronavírus.

No Dia Mundial do Coração, celebrado em 29 de setembro, especialistas fazem um alerta para quem venceu a covid-19, para que tenham cuidados especiais com a saúde cardiovascular. Pesquisas sobre os impactos da doença ainda estão em fase inicial, mas alguns estudos já avaliam as sequelas que podem ocorrer nos pacientes. Entre as ocorrências estão arritmias, insuficiência cardíaca e coronariana, isto é, lesão direta do músculo cardíaco. Além disso, a fibrose pulmonar causada pela COVID pode levar ao comprometimento do lado direito do coração.

“O processo de inflamação desencadeado pela covid-19 nas fases 2 e 3 da doença podem afetar o músculo cardíaco e as artérias, aumentando o risco de infarto e descompensações cardíacas”, alerta a cardiologista Cláudia Freire, diretora clínica da Ecocenter Medicina Diagnóstica – empresa do Grupo Lustosa.

Por isso, os pacientes curados devem ficar atentos a sintomas comuns de doenças do coração como falta de ar, cansaço e dores no peito e musculares. “Quem possui esses sintomas mesmo após a cura, precisa procurar um médico especialista que deverá solicitar exames como um ecodopplercardiograma, para monitorar as condições do coração, a função do músculo cardíaco, das válvulas e sinais de comprometimento secundário do coração por problemas pulmonares”, diz.

Modo de vida

Além dos pacientes que tiveram covid-19, a doença também influenciou no modo de vida das pessoas, pois forçou o fechamento de áreas de lazer, de academias e restringiu a mobilidade de muita gente. Esses fatores, segundo Souza, contribuem para o aumento do sedentarismo, um dos fatores de risco para doenças do coração.

“As pessoas estão mais em casa, fazendo menos atividades e trabalhando mais sentadas. Às vezes, uma caminhada diária de 10 ou 15 minutos até o ponto de ônibus ou para o trabalho, ou subir dois lances de escadas, já contribuía para a saúde do coração. Hoje, por causa do home office, nem isso as pessoas fazem, o que aumenta o risco de problemas”, alerta a médica. Para quem já possui outros fatores de risco como tabagismo, colesterol alto, diabetes e obesidade, o cuidado deve ser redobrado e as mudanças de hábitos devem ser realizadas de forma urgente. 

“O espectro de manifestações cardiovasculares do Covid 19 é muito amplo, pode demorar para recuperação completa e deve ser avaliado de forma abrangente em todos os indivíduos acometidos”, conclui Cláudia Freire.

Médica Claudia Freire

*Cláudia Maria Vilas Freire - Possui graduação em Medicina pela Universidade Federal de Minas Gerais(1983), residência médica pela Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais(1985), aperfeiçoamento em Cardiologia Clinica pela Hospital Vera Cruz(1987), especialização em Ecocardiografia pela Ecocenter(1995), mestrado em Clínica Médica pela Universidade Federal de Minas Gerais(2005), doutorado pelo Programa Ciências da Saúde(Saúde do Adulto) pela Universidade Federal de Minas Gerais(2010). Atualmente é médica Cardiologista da (EBSERH) Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares do Hospital das Clínicas da UFMG e Professora do IMEDE/BH. Revisora do periódico Arquivos Brasileiros de Cardiologia. Tem experiência na área de Medicina com ênfase em Cardiologia (carótida, aterosclerose, espessura médio intimal) e Ecocardiografia.