Pessoas que tiveram covid-19 precisam estar atentas a possíveis sequelas

Pessoas que tiveram covid-19 precisam estar atentas a possíveis sequelas

Resposta inflamatória causada pelo novo coronavírus pode ter consequências tardias, que podem ser identificadas por exames

Quem teve complicações da covid-19 e conseguiu se recuperar, pode se considerar um vitorioso. A doença deixou centenas de milhares de mortos no Brasil em mais de quatro milhões de casos confirmados. Infelizmente, porém, os cuidados com a doença não terminam com a alta hospitalar. A covid-19 pode deixar sequelas importantes em alguns órgãos, desencadeando problemas graves semanas ou meses após a infecção. Entre os órgãos afetados mais vitais, está o coração. Mesmo o indivíduo não tendo nenhuma cardiopatia anterior à doença, pode apresentar problemas após a infecção pelo novo coronavírus.

No Dia Mundial do Coração, celebrado em 29 de setembro, especialistas fazem um alerta para quem venceu a covid-19, para que tenham cuidados especiais com a saúde cardiovascular. Pesquisas sobre os impactos da doença ainda estão em fase inicial, mas alguns estudos já avaliam as sequelas que podem ocorrer nos pacientes. Entre as ocorrências estão arritmias, insuficiência cardíaca e coronariana, isto é, lesão direta do músculo cardíaco. Além disso, a fibrose pulmonar causada pela COVID pode levar ao comprometimento do lado direito do coração.

“O processo de inflamação desencadeado pela covid-19 nas fases 2 e 3 da doença podem afetar o músculo cardíaco e as artérias, aumentando o risco de infarto e descompensações cardíacas”, alerta a cardiologista Cláudia Freire, diretora clínica da Ecocenter Medicina Diagnóstica – empresa do Grupo Lustosa.

Por isso, os pacientes curados devem ficar atentos a sintomas comuns de doenças do coração como falta de ar, cansaço e dores no peito e musculares. “Quem possui esses sintomas mesmo após a cura, precisa procurar um médico especialista que deverá solicitar exames como um ecodopplercardiograma, para monitorar as condições do coração, a função do músculo cardíaco, das válvulas e sinais de comprometimento secundário do coração por problemas pulmonares”, diz.

Modo de vida

Além dos pacientes que tiveram covid-19, a doença também influenciou no modo de vida das pessoas, pois forçou o fechamento de áreas de lazer, de academias e restringiu a mobilidade de muita gente. Esses fatores, segundo Souza, contribuem para o aumento do sedentarismo, um dos fatores de risco para doenças do coração.

“As pessoas estão mais em casa, fazendo menos atividades e trabalhando mais sentadas. Às vezes, uma caminhada diária de 10 ou 15 minutos até o ponto de ônibus ou para o trabalho, ou subir dois lances de escadas, já contribuía para a saúde do coração. Hoje, por causa do home office, nem isso as pessoas fazem, o que aumenta o risco de problemas”, alerta a médica. Para quem já possui outros fatores de risco como tabagismo, colesterol alto, diabetes e obesidade, o cuidado deve ser redobrado e as mudanças de hábitos devem ser realizadas de forma urgente. 

“O espectro de manifestações cardiovasculares do Covid 19 é muito amplo, pode demorar para recuperação completa e deve ser avaliado de forma abrangente em todos os indivíduos acometidos”, conclui Cláudia Freire.

Médica Claudia Freire

*Cláudia Maria Vilas Freire - Possui graduação em Medicina pela Universidade Federal de Minas Gerais(1983), residência médica pela Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais(1985), aperfeiçoamento em Cardiologia Clinica pela Hospital Vera Cruz(1987), especialização em Ecocardiografia pela Ecocenter(1995), mestrado em Clínica Médica pela Universidade Federal de Minas Gerais(2005), doutorado pelo Programa Ciências da Saúde(Saúde do Adulto) pela Universidade Federal de Minas Gerais(2010). Atualmente é médica Cardiologista da (EBSERH) Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares do Hospital das Clínicas da UFMG e Professora do IMEDE/BH. Revisora do periódico Arquivos Brasileiros de Cardiologia. Tem experiência na área de Medicina com ênfase em Cardiologia (carótida, aterosclerose, espessura médio intimal) e Ecocardiografia.
COVID-19: como controlar a ansiedade durante a quarentena e não descontar na comida

COVID-19: como controlar a ansiedade durante a quarentena e não descontar na comida

A nutricionista Marcela Mendes ensina quais são os alimentos mais adequados para o período

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), quase 10% da população brasileira já apresentou sintomas característicos de ansiedade nos últimos anos, número que deve crescer com a crise que estamos enfrentando devido a todas incertezas que este período traz, por conta da pandemia do Coronavírus.

Perda ou aumento de apetite são queixas comuns de pessoas que sofrem ou já sofreram de ansiedade, um desequilíbrio alimentar tem relação direta com a saúde do corpo e da mente. Ganho ou perda de peso, falta de sono e estresse, microbiota intestinal desregulada, anemias, estufamento do abdômen e má digestão são algumas das consequências do problema. Para minimizar os sintomas da doença, a nutrição e a alimentação saudável podem contribuir significativamente para a melhora.

Marcela Mendes, nutricionista do Mundo Verde, rede de produtos naturais e orgânicos, dá dicas de como controlar e amenizar os sintomas durante a quarenta do Coronavírus:

Confira as dicas de alimentação saudável :

Açúcar: A procura por alimentos à base de açúcares é sem dúvida parte da rotina de pessoas ansiosas, uma vez que ele é capaz de estimular o cérebro e causar a sensação de prazer e bem estar. Mas, ele com certeza não é a melhor opção para se livrar dos sintomas durante a quarentena do coronavírus. Substitua por alimentos ricos em triptofano. O aminoácido está relacionado com a produção de serotonina, substância responsável pela sensação de felicidade e é encontrado facilmente em alimentos como a banana, cacau, oleaginosas, semente de girassol, quinoa e ovos.

Chás: Existem diversos tipos de chás relacionados ao relaxamento e redução da euforia, como o chá de camomila, melissa, erva doce e folhas de maracujá. No entanto, é importante de consumi-los puros, sem adição de açúcares e adoçantes. Experimente incluir mais chás no dia a dia durante a quarentena do coronavírus.

Suplementos: Se preferir fazer uso de produtos encapsulados escolha entre suplementos a base de zinco, vitaminas do complexo B, triptofano, canela e magnésio estão na lista de aliados ao combate à ansiedade e depressão. Eles estimulam a produção de serotonina, ajudam a regular hormônios e as nossas emoções. Pode ser um grande aliado para enfrentar o COVID-19.

Saúde intestinal: Este é um ponto extremamente relevante quando o assunto é estado de humor e ansiedade. Invista em probióticos de qualidade e fibras para estimular seu bom funcionamento. Um intestino saudável pode facilitar a absorção de nutrientes e a produção de substâncias como: serotonina, dopamina e gaba, que têm relação direta com a ansiedade e depressão.

Mude seus hábitos: aos poucos durante a quarentena do Coronavírus, mas mude com consciência. Não pule refeições e não faça jejum sem orientação, isso pode gerar mais frustrações e perda de controle.

Estabeleça metas saudáveis: Faça um plano diário ou semanal do que comer, a quantidade ideal, as variações de alimentos e horário enquanto estiver de quarentena. O ato de organização pode te ajudar a diferenciar melhor a sensação de fome x vontade de comer e então, trará mais controle e confiança sobre si, reduzindo a ansiedade.

Sobre o Mundo Verde

O Mundo Verde, maior rede especializada em produtos naturais e orgânicos da América Latina, é referência em qualidade de vida e alimentação saudável.

Sobre a profissional

*Marcela Mendes é Formada em Nutrição pelo Centro Universitário São Camilo e pós graduada em Nutrição Clinica Funcional pela VP Consultoria.

Alerta: cresce o número de internações por emergências cardiológicas

Alerta: cresce o número de internações por emergências cardiológicas

Um levantamento divulgado pela Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) no ano passado, revelou que os atendimentos de emergências cardiovasculares nos hospitais do Brasil são 82,2% maiores do que aqueles em que uma cirurgia ou procedimento é agendado com antecedência. Ainda segundo os dados da pesquisa, das 1,1 milhão de internações por doenças cardiovasculares no país, 82% ou 929 mil destes casos são de origem emergencial. Estes dados demostram que a prevenção é pouco ou raramente exercitada pela população, que apenas adere a uma mudança de hábitos efetiva após o diagnóstico de alguma alteração cardiovascular.

Prevenção das doenças do coração

O cardiologista, membro da SBC e sócio da Inmedic Brasil, Bruno Alencar, explica que para prevenir a ocorrência súbita de um acidente cardiovascular, as pessoas devem fazer anualmente um check-up de sua saúde geral. “Os problemas cardiovasculares podem estar relacionados a características genéticas; maus hábitos de vida como o tabagismo, alcoolismo, dependência química e sedentarismo; ou a doenças como diabetes, hipertensão e obesidade. No entanto, em todos estes casos é extremamente necessário que as pessoas se submetam a exames anuais, pois somente assim, o paciente poderá saber quais são os níveis de colesterol bom ou ruim em seu organismo e ainda descobrirá se faz parte do grupo de risco para a doença”, esclarece.

Além do check-up anual, a adoção de uma rotina mais saudável e a melhora na qualidade de vida podem ser determinantes para manter a saúde do coração com o passar dos anos. “Para se ter uma vida equilibrada é muito importante que as pessoas mantenham uma dieta alimentar nutritiva, regular e balanceada. Ainda é essencial que as mesmas pratiquem diariamente ao menos 40 minutos de alguma atividade física e abandonem vícios nocivos. Caso seja identificada uma doença que demande cuidados diários, também é indispensável, que os pacientes façam o controle clínico e medicamentoso da enfermidade”, ressalta.

Atenção ao coração!

Bruno Alencar também alerta para outros fatores que se mostram bastante preocupantes para a saúde cardiovascular, o estresse e ansiedade. “No Brasil, 5,4% da população apresentam ou já apresentaram sintomas de estresse, segundo informações de uma pesquisa feita pela Organização Mundial de Saúde (OMS). Na América Latina, o nosso país ocupa o topo do ranking de países com o maior número de pessoas ansiosas”, destaca.

*Bruno Alencar é  cardiologista, membro da SBC e sócio da Inmedic Brasil.

ADJ Diabete lança campanha para prevenção de Retinopatia Diabética

ADJ Diabete lança campanha para prevenção de Retinopatia Diabética

Com o intuito de sensibilizar as pessoas sobre a importância do diagnóstico precoce do diabetes e do controle glicêmico para prevenção de complicações da condição, a ADJ Diabetes Brasil realiza a campanha nacional Fique de olho – Retinopatia Diabética. Segundo a Organização Mundial da Saúde, o Brasil possui 16 milhões de pessoas com diabetes. Belo Horizonte é a terceira capital brasileira em incidência de diabetes em adultos, totalizando 7,5% da população.  É o que revela a Pesquisa de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico, publicada em agosto de 2019.

Dados da pesquisa da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo apontam que 77,2% dos indivíduos com diabetes tipo 2 não aderem ao tratamento no país, o que ocasiona sérias complicações. Uma delas é a retinopatia diabética, que afeta cerca de 40% das pessoas com diabetes.

Retinopatia diabética

As altas taxas de glicemia degeneram a retina e, com o tempo, a visão pode ser afetada, sendo a principal causa de cegueira. A retinopatia diabética pode ser de dois tipos: a não proliferativa, forma inicial da doença que é detectada quando os vasos do fundo do olho estão danificados, causando hemorragia e vazamento de líquido da retina, chamado de Edema Macular Diabético; e a proliferativa é diagnosticada quando os vasos da retina ou do nervo óptico não conseguem trazer nutrientes para o fundo do olho e por consequência, há formação de vasos anormais, que causam o sangramento.

Além de sensibilizar as pessoas sobre os riscos da retinopatia diabética, a campanha também tem como objetivos específicos: educar as pessoas para que mudem seus hábitos e consigam controlar as taxas de glicemia e incentivar a visita ao oftalmologista regularmente, para realizar os exames preventivos de visão.

A iniciativa já passou por Brasília, Birigui (interior de São Paulo), Rio de Janeiro e Fortaleza e irá para os municípios de Belo Horizonte e Porto Alegre. No próximo dia 12 de setembro, Belo Horizonte receberá a ação, na UNIDAS, localizada na Rua Bahia, 1032, Centro. Para inscrições, é necessário entrar em contato pelo telefone 31 3442-3997 ou por email:contato@adibrasil.org.br.

Para a realização destas ações, a ADJ Diabetes Brasil conta com o apoio da Abbott, da Allergan e da Novartis. Mais informações podem ser acessadas no www.adj.org.br. 

Sobre a ADJ Diabetes Brasil

Fundada em 10 de março de 1980, a ADJ Diabetes Brasil é uma entidade não governamental, sem fins lucrativos, legalmente registrada no Registro Civil de Pessoas Jurídicas. Seu objetivo é promover educação nesse campo para pessoas com diabetes, familiares, profissionais de saúde e comunidade.

Atende gratuitamente as pessoas com todos os tipos de diabetes, de qualquer faixa etária e classe socioeconômica. Oferece um trabalho integrado realizado por uma equipe multidisciplinar.

A ADJ está em contagem regressiva para celebrar seus 40 anos de existência em 2020 e já começa a planejar suas iniciativas para marcar seu aniversário. 

Outubro Rosa: boa alimentação e exercícios físicos podem prevenir o câncer de mama

Outubro Rosa: boa alimentação e exercícios físicos podem prevenir o câncer de mama

A doença pode estar relacionada a hábitos ruins como sedentarismo e consumo de alimentos industrializados

Outubro é o mês de lembrar às mulheres a importância da prevenção do câncer de mama, a doença maligna mais comum entre elas, com 56 mil novos casos no Brasil a cada ano, segundo o INCA (Instituto Nacional do Câncer).

É fato que existem os riscos inerentes à determinadas mulheres, como a genética e a história familiar. Mas o que muitas não sabem é que pode haver uma relação do desenvolvimento da doença com estilo de vida e algumas decisões cotidianas, tais como praticar atividade física, manter peso adequado à altura, ser mãe antes dos 30 anos, amamentar, e ingerir bebida alcoólica moderadamente. Além disso, é fundamental para a prevenção do tumor de mama se alimentar com produtos de boa qualidade, evitando comidas industrializadas.

“Uma dieta saudável, com pouca gordura e muitas verduras e legumes está relacionada à redução de risco de câncer em geral. Comer bem também evita o ganho de peso, o que está diretamente relacionado com o risco de desenvolver o câncer de mama. Mulheres obesas ou com sobrepeso têm mais chances de ter tumores malignos na mama ao longo da vida”, afirma a ginecologista e mastologista Juliana Pierobon.

A médica chama atenção também para a necessidade de realização de exames periódicos de mamografia  por mulheres com mais de 40 anos. Esse exame pode detectar a existência de tumores que em muitos casos não são percebidos durante o autoexame. É o caso, por exemplo, do carcinoma oculto de mama.  

“Como médica voluntária do setor de mastologia do Instituto do Câncer de São Paulo, acompanho casos frequentes desse tipo de câncer em mulheres acima dos 40 anos encaminhadas do SUS. Já no consultório particular esses casos são raros. O carcinoma oculto da mama é uma forma rara de câncer de mama caracterizado por sua apresentação inicial com metástases nos linfonodos axilares. Pode não ser descoberto inicialmente no autoexame da mulher ou mesmo pelo médico ginecologista, por acometer especificamente as axilas e não as mamas.  Muitas vezes a lesão é tão incipiente que somente pode ser detectada com a realização de mamografia, ultrassom de mama e ressonância magnética. A biópsia do linfonodo axilar confirma o diagnóstico de células mamárias cancerosas”, explica a especialista. 

O carcinoma oculto de mama se apresenta como tumoração ou massa endurecida na região das axilas, como uma íngua, podendo ou não ser dolorosa. Em certos casos pode ser descoberto por palpação nas axilas ou por causa do aparecimento de gânglios suspeitos em exames de rastreamento, como a mamografia. É um tipo raro, correspondendo a apenas 0,1 a 0,8 % de todos os cânceres de mama. Mesmo assim, é preciso atenção. 

“Devido ao acometimento dos gânglios linfáticos ser uma apresentação pouco frequente de câncer de mama, a maioria dos pacientes já passou por diversos especialistas e fez inúmeros exames antes de chegar ao mastologista. Isso pode retardar o diagnóstico e também o tratamento, afetando o prognóstico da doença”, alerta a médica. 

Mas nem sempre o aparecimento de gânglios nas axilas é perigoso. Todos nós temos gânglios de defesa à entrada de infecções nas regiões axilares. Porém, se um desses gânglios está crescendo, é novo ou não desaparece após algumas semanas é necessário investigar. 

Prevenção

A médica Juliana Pierobon ainda chama atenção que, mais do que o autoexame das mamas, as mulheres precisam desenvolver o que vem sendo chamado como “breast awereness”

“É importante que a mulher conheça suas mamas: o tamanho, se têm algum relevo palpável, se têm alterações na pele, áreas de abaulamento; além de prestar atenção às características de suas axilas. Deste modo, qualquer mudança no padrão normal pode ser percebido com mais facilidade. É o chamado ” breast awereness”  ou autoconhecimento das mamas. Modificações como áreas de vermelhidão, mudança no aspecto do mamilo, nódulos e feridas na pele podem ser sinais de anormalidade. Percebendo qualquer mudança procure imediatamente um ginecologista ou mastologia. Quanto mais cedo, melhor”, conclui a mastologista.

Um estudo recente publicado no Journal of Cancer Survivorship comprovou que a prática de atividade física por pelo menos 150 minutos por semana pode reduzir tanto novos casos de câncer quanto recidivas em pacientes que já se submeteram ou que estão em tratamento oncológico.

De acordo com a OMS, até 80 % dos casos de câncer estão relacionados ao estilo de vida das mulheres. Por isso, tente incluir estes alimentos em sua dieta, pois eles são fundamentais na prevenção do tumor de mama:

  • Peixes atum, salmão, sardinha)
  • Brócolis, couve, repolho 
  • Frutas (cinco porções diferentes por dia) 
  • Fibras solúveis (encontradas principalmente na aveia e em frutas como abacate, pera e banana)
  • Menos carne vermelha!
  • Menos gordura!

 Juliana Pierobon Ginecologista e Mastologista*Juliana Pierobon é ginecologista e mastologista na ALTACASA Clínica Médica, na capital paulista. Também é médica voluntária no Instituto do Câncer do Estado de São Paulo – ICESP. 

Setembro Amarelo: especialista explica os sintomas e como tratar a depressão e ansiedade

Setembro Amarelo: especialista explica os sintomas e como tratar a depressão e ansiedade

Desde 2014, é realizado no Brasil o Setembro Amarelo – campanha de combate à depressão. De acordo com os últimos dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), a depressão afeta 322 milhões de pessoas no mundo. No Brasil, cerca de 6% da população sofre com esse mal, sendo o país com maior prevalência de depressão da América Latina. Ainda, os brasileiros também são recordistas mundiais quanto aos transtornos de ansiedade, com 9,3% afetados pela doença. “A ansiedade e a depressão são quadros emocionais que podem estar correlacionados”, explica a psicóloga do Grupo São Cristóvão Saúde, Aline Melo.

Conforme a especialista, a depressão se caracteriza por uma tristeza duradoura, que pode vir acompanhada de desanimo e autoestima baixa, falta de energia, entre outros sintomas. Já a ansiedade está associada a uma sensação de medo ou angustia constante sobre o futuro. “Essa sensação é considerada patológica quando começa a atrapalhar a rotina do indivíduo”, comenta Aline.

Se a ansiedade não for tratada, há grande probabilidade de, além de gerar desgaste emocional recorrente, ser gatilho para o desenvolvimento de outras doenças, até mesmo levando à depressão. “A ansiedade pode estar associada a compulsões, pânico, comportamentos obsessivos, entre outros aspectos. Por isso a necessidade de reconhecê-la, compreende-la e trata-la de maneira adequada”, alerta a profissional.

Quanto aos fatores mais comuns que podem desencadear uma depressão ou ansiedade estão as condições genéticas, disfunções físicas, além de traumas, estresse e perdas. Também o uso de álcool e drogas contribui para o aparecimento de tal patologia. “Para tratar as doenças é preciso de um cuidado especializado, sendo de grande importância a avaliação de um médico psiquiatra e de um psicólogo, visando o direcionamento adequado a cada caso. O uso de medicações e psicoterapia podem ser necessários”, esclarece a psicóloga.

A especialista ainda adverte que vivemos um período de muitas cobranças e pressões em várias áreas de nossas vidas – profissional, familiar e pessoal – que reforçam nosso desejo de antever e nos preparar para situações futuras, o que associadas a uma grande carga de estresse, fatores físicos e predisposições genéticas geram uma maior vulnerabilidade ao desenvolvimento de transtornos emocionais. “As cobranças e crises do mundo de hoje afetam nossa saúde mental, demonstrando cada vez mais a necessidade de voltarmos nosso olhar para dentro”, finaliza.

Aline Melo Psicóloga*Aline Melo é psicóloga do Grupo São Cristóvão Saúde.

Piercings e Tatuagens: veja como cuidar corretamente

Piercings e Tatuagens: veja como cuidar corretamente

Conheça as principais precauções para manter o organismo saudável, antes e depois da ornamentação da pele

Foi nas décadas de 1960 e 1970, com o movimento pacifista dos hippies, da indústria pop e da cultura punk, que piercings e tatuagens começaram a conquistar adeptos, principalmente entre artistas e pessoas que buscavam expressas suas ideias, muitas delas de protesto social. Naquela época, a ação era vista com certo preconceito pela sociedade, que a associava à criminalidade. Somente a partir dos anos 1990, com o surgimento da primeira loja de tatuagem no Rio, é que a profissão do tatuador foi reconhecida e passou a atrair mais pessoas.

Hoje, piercings e tatuagens se popularizaram entre indivíduos de todas as idades, sexos e classes sociais. Eles deixaram de ser unicamente uma forma de expressão e ganharam status de item fashion. Apesar de ainda não haver um censo sobre quantas pessoas têm tatuagens e piercings no Brasil, um estudo do Sebrae aponta um crescimento de 24,1% no número de estabelecimentos do setor entre 2016 e 2017, indicando uma boa procura pelo serviço.

Cuidados com piercings e tattos

Dicas para pré e pós

Antes de fazer uma tattoo ou colocar um ornamento, no entanto, é preciso tomar algumas precauções. Observar se o estúdio segue as orientações de funcionamento da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), com a correta esterilização e descarte dos instrumentos, é a primeira delas. Não menos importantes são os cuidados pessoais que devem ser seguidos para garantir a própria saúde.

O dermatologista Paulo Roberto Antônio Júnior explica que entre as complicações mais comuns está a ocorrência de infecções secundárias. “É imprescindível manter o local extremamente limpo e usar cremes cicatrizantes adequados. No caso dos piercings, eles são contraindicados para pessoas com predisposição para queloides e problemas de cicatrização. Além disso, o material tem que ser cirúrgico”, esclarece.

Ele alerta ainda para as partes do corpo onde serão feitas as aplicações. “É importante avaliar o tipo de pele e pensar que as áreas mudam muito com o nosso envelhecimento. Dobras, regiões intimas, nariz e língua são mais propensos a infecções, porque são locais úmidos e têm uma quantidade maior de bactérias”, finaliza.

*Dermatologista Paulo Roberto Antônio Júnior 

Prevenção no 8 de maio: dia mundial do câncer de ovário

Prevenção no 8 de maio: dia mundial do câncer de ovário

O dia 8 de maio foi escolhido como o Dia Mundial do Câncer de Ovário para alertar as mulheres sobre sintomas, tratamento e prevenção. Segundo estimativa do Instituto Nacional do Câncer (INCA), para o ano de 2018, são esperados 6.150 novos casos de câncer de ovário. Esse número corresponde a 3% do total de neoplasias estimadas em mulheres.

Considerado o mais grave câncer ginecológico, a doença tem maior incidência após os 50 anos de idade e o diagnóstico precoce ainda permanece um desafio. Os sintomas são vagos e mal definidos e, ainda na fase inicial, podem não se mostrar presentes.

“A suspeita de neoplasia de ovário se dá com o inchaço abdominal contínuo, sem melhora, a perda de apetite, dor na região pélvica e o aumento na necessidade de urinar”, explica a Dra. Daniela Amaral, oncologista do Grupo CON – Oncologia, Hematologia e Centro de Infusão.

“Alguns exames, como ultrassonografia transvaginal e a dosagem de CA 125 no sangue, são muito solicitados pelos médicos em busca do diagnóstico precoce da doença, mas não se mostraram eficazes como método de rastreio”. Segundo a médica, esses exames não reduziram as estatísticas de mortalidade, mesmo realizados anualmente em mulheres sem sintomas e sem histórico familiar. “A ultrassonografia pélvica ou transvaginal se mostrou útil apenas para diagnosticar a doença já existente e, na maioria das vezes, já avançada”, completa a Dra. Daniela.

É importante destacar que toda paciente com alguma massa suspeita deve ser submetida a uma abordagem cirúrgica, realizada por um cirurgião oncológico experiente. A partir daí, será estabelecido o diagnóstico definitivo, a extensão da doença e o tratamento.

Reconhecer os primeiros sinais da doença pode levar a um diagnóstico em fase inicial, aumentando bastante a probabilidade de sobrevivência. Alguns fatores de risco também estão associados ao câncer de ovário, como histórico familiar e reposição hormonal na menopausa, entre outros. “Identificar de maneira precoce o câncer de ovário é um grande desafio para os médicos. É muito importante que a paciente faça o acompanhamento regular com o ginecologista”, sinaliza a Dra. Vale ressaltar ainda que o exame Papanicolau não detecta o câncer de ovário, já que é específico para detectar o câncer do colo do útero.

 

Dra. Daniela Amaral, oncologista Dra. Daniela Amaral é oncologista do Grupo CON – Oncologia, Hematologia e Centro de Infusão.